terça-feira, agosto 16, 2011

A Beata



Maria de Jesus sempre foi uma pessoa extremamente religiosa. Tão religiosa que esperou casar-se para ter o consentimento do marido para poder trabalhar, afinal de contas, poderia ser vontade divina que seu marido, João de Deus, a quisesse como dona-de-casa.

Um belo dia, ao completar seu horario de retorno ao lar, Maria começa a sentir alguns movimentos suspeitos em seu ventre.

"Vai passar..." - pensou.

Apesar do banheiro da lojinha da igreja ser um local abençoado para aliviar-se, a ideia de fazer o número 2 em um lugar santo e divinamente protegido de doenças que fosse de casa, não a agradava.

Guardou suas coisas e tratou de fechar a loja rapidamente. Ao parar em frente a igreja, agradeceu a Deus pelo dia de trabalho com fervor.

GRRRRRRRRR  - Fez outra vez sua barriga.

"Que Deus permita que eu seja rápida" - pensou.

Tratou de andar a passos bem largos para chegar em casa depressa. Depois de alguns minutos andando, toda a movimentação extra parecia ter cessado, decidiu então, fazer uma parada no supermercado antes - já que havia uma certa escassez de pão e frutas em sua cozinha.

O supermercado era a 3 quadras de sua casa, bem no meio do caminho entre esta e o trabalho. Entrando no supermercado, suas entranhas resolvem mecher-se com vontade.

"SENHOR!" - exclamou.
"Amém!" - disse em resposta uma velhinha que passava.

Tentando manter a calma, resolveu ir direto para casaa. Voltando à calçada, mais uma violenta rebelião gastro-intestinal...

"JESUS ME AJUDE!" - Disse para si mesma.

Retomou os passos largos, precisava ser ágil, mas não havia necessidade que deduzissem o que se passava com ela pela rua.

Mais uma onda destrutiva a assola! Desta vez somada a uma vontade quase incontrolável de flatular...

"SENHOR ME AJUDE!"

Decidiu então, que passos largos poderiam ser perigosos. Tratou de encurtá-los, e acelerar a velocidade era primordial.

Um gás avassalador inrompeu de seu interior, com a força de um tufão e a velocidade de um raio!

"LIVRAI-NOS DE TODO O MAL!" - suplicava

Um efeito dominó gasoso foi desencadeado em suas vísceras. Incontrolável.

"TENHA DÓ DE SUA FILHA SENHOR! JÁ ESTOU QUASE LÁ!"

A situação piorava a uma velocidade e proporção nunca vistas por Maria. Chegou ao ponto de os gases virem separados por bolhas que explodiam ao saírem como balas perdidas no meio da rua, e Maria não era nenhum fusquinha para conseguir mudar de marcha e acelerar. Para ela já não existiam mais sinais vermelhos e nem faixa de pedestres. Sentia-se um caminhão monstro passando por cima de tudo.

PLOC! - fez uma bolha.

Maria começou a sentir um certo peso espalhando por sua roupa íntima...

"JESUS ME ACUDA!"

Felizmente encontrava-se na portaria de seu prédio. Era só pegar o elevador agora... Chamou o elevador social cujo visor mostrou estar preso no 10º andar.

Outra onda apoderou-se dela... sentia um cheiro podre acompanhado de mais bolhas.

"SALVE RAINHA, MÃE DE MISERICÓRDIA! INTERCEDA POR MIM!"

Correu até as escadas e começou a subir. Morava no quarto andar, seria mais rápido que esperar o elevador.

GRRRRRRR!! PLOC! PLOC! PLOC! PLOC!

"OH CÉUS!!!!"

A esta altura corria desenfreadamente subindo as escadas. Lamentava-se. Teria de lavar toda a roupa a mão, tomar um banho demorado, a casa inteira fiacria com um cheiro horroroso, sentia ânsia só de pensar. Como que na velocidade da luz, a cada andar completado, completava 1 Pai Nosso.

O tempo parecia estar congelado! Quanto mais corria, mais demorava e maiores eram os movimentos das bolhas dentro dela.

Chegando á sua porta, procura desesperadamente a chave dentro da bolsa. Desespera-se e vira todo o conteúdo da bolsa no chão do corredor. Agarra a chave e luta para enfiá-la no buraquinho da fechadura.

TRAC!

Conseguiu abrir a porta! Largou tudo aberto e voou para o banheiro. arrancou as calças e sentou-se no vaso.... Efeito catastrófico, porém, no lugar correto.

Depois de seu alívio imediato, notou com surpresa que suas roupas permaneciam limpas.

"Obrigada Senhor! Sabia que jamais me desapontaria!"

Foi então que reparou que não estava sozinha no banheiro. Seu marido a encarava horrorizado de dentro do box do chuveiro.

E foi assim que Maria descobriu, que a vontade de Deus era que na verdade, a Merda os separesse para sempre.

3 comentários:

Clau Souza disse...

Gente... Que sufoco!
Eu não aguentava mais esperar pra ver o final disso... ainda bem que pelo menos as roupas continuavam limpas. Já em relação ao marido... ora, eles fazem coisas muito piores em cima de um vaso. ;)

Cristiano disse...

Muito bom! :-)

Ah Curiosa! disse...

Oi flor, amei o blog, bem legal e interessante!
Seguindo, se poder segue lá! bjos

http://ahcuriosaa.blogspot.com/